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A Condição da Morte


Adventistas não crêem que num corpo desencarnado a alma sobreviva a morte assim como católicos crêem. Abaixo estão as respostas para alguns dos argumentos mais comuns usados por adventistas:

1. A Bíblia diz que a morte não conhece nada, e não é ativa ( Jó 14:12,21; Eclo 9:5-6; Sl 115:17). Esses versos não contradizem a postura católica? (Read More)

2. A Bíblia chama a morte de “dormir”. Isso quer dizer que humanos ficam totalmente inconscientes na morte. (Read More)

3. Se uma pessoa vai para o céu após a morte, por que então haveria a necessidade de ressurreição? (Read More)

4. A primeira mentira encontrada na escritura assegura que o homem “não morrerá”(Gen 3:4). A visão católica clama que o homem não morre, mas vive como alma. (Read More)

5. A visão católica automaticamente não se encaixa no espiritismo? (Read More)

6. Jesus disse que distribuiria todas as recompensas em sua segunda vinda (Apoc 22:12); nós não deveríamos esperar recompensas antes disso e nem na morte então. (Read More)


1. A Bíblia diz que a morte não conhece nada, e não é ativa ( Jó 14:12,21; Eclo 9:5-6; Sl 115:17). Esses versos não contradizem a postura católica?

Cada um destes versos apresenta certos problemas. O primeiro (Jó 14:21) fala de alguém que morreu:

Estejam os seus filhos honrados, ele o ignora;
sejam eles humilhados, não faz caso.
Convenientemente, adventistas sempre se esquecem de ler o próximo versículo:
Estejam os seus filhos honrados, ele o ignora;
sejam eles humilhados, não faz caso.
É somente por ele que sua carne sofre;
sua alma só se lamenta por ele. (Jó 14: 20-21)
E como é óbvio, o próximo verso contradiz completamente a visão adventista. O homem morto não percebe os eventos terrenos porque ele está em dor e sofrimento terríveis. Isso é praticamente a concepção adventista da morte; este texto alega que o morto pode sentir dor e se lamentar. Infelizmente, o primeiro texto foi retirado há muito tempo atrás do conjunto original e, seletivamente citado, tendo servido de uma prova-de-texto desde então.

No próximo texto que os adventistas citam , Sl 115:17, utiliza-se um contraste comum entre os mortos e os vivos encontrado no decorrer do Velho Testamento
Os mortos já não louvam o Senhor,
Nem os que descem ao lugar do silêncio;
Nós, os vivos, nós bendizemos o senhor
Desde agora e para sempre.
Louvado seja o Senhor! (Sl 115:17)
Apesar do verso acima ser usado para apoiar a crença de que a “alma”do homem fica inativa após a morte, o contexto não exige tal interpretação. O contraste dado pelo salmista na habilidade dos vivos e dos mortos de oferecer louvor (especialmente no cenário do templo) poderia ser entendido dentro das observações regulares dos seres humanos. Corpos mortos, silêncio e pó, não podem louvar a Deus, mas os vivos podem falar, e eles oferecerão louvor nas cortes de Deus. Considerando essa comparação de ídolos e o destino daqueles que os adoram (morte; v 7-8), é provável que o salmista tenha em vista a incapacidade dos mortos pronunciarem ou cantarem sem um corpo com a função vocal. Comparação do texto acima com um verso relacionado: “irão os mortos se levantar e louvar?” (Sl 88:10,KJV) reforça a conclusão de que a expressão é sobre as capacidades corporais do homem, que podem ser restauradas somente pela ressurreição física. Finalmente, a negação de que “todo aquele que desce no silêncio” louva o Senhor visualiza um cadáver silencioso descendo ào túmulo, contrastando as habilidades de um adorador vivo. Consequentemente, este verso tem visivelmente as habilidades físicas do homem em foco direto; e não necessariamente exclui a atividade espiritual por trás da morte.

A passagem de Eclesiastes é também um tanto complicada. O tom do livro inteiro é desesperadamente pessimista, porque foi escrito de uma perspectiva meramente humana. A reflexão do “Mestre” neste livro encompassa somente aquilo que é alcançado “embaixo do sol”, isto é, dentro do domínio da experiência humana e da vida neste mundo (1:3-4, 14). Limitado a essa vida, sem esperança ou visão de uma vida após essa vida, não é à toa que o “Mestre” vê absoluta vaidade. Na mente do Mestre, a vaidade da vida humana é mais evidente quando se considera a inevitabilidade do fim da vida. A morte é o ápice da futilidade humana; o túmulo destrói os últimos resíduos do que o homem poderia alcançar ou ganhar nessa vida (1:4, 5:14;12:1-8). É o último inimigo, o último sopro do homem sem poder que luta contra o mundo ao seu redor. Dentro da perspectiva que se limita somente às experiências desta vida, o Mestre escreve:
Porque o vivo sabe que morrerá: mas o morto não sabe nada; nem tem eles nenhuma recompensa; porque sua memória foi esquecida. Também o seu amor, e ódio, e sua inveja, tudo pereceu; nem têm eles mais a porção que lhes cabe para sempre em qualquer coisa que seja feita embaixo do sol. (9:5-6)
Muitos adventistas citam esse verso em sua defesa, mas falham o entendimento na total significância das palavras do Mestre. Em seus olhos, e a partir da sua experiência, a morte não é simplesmente um dormir inconsciente; é o fim da cada existência individual. O Mestre lamenta a morte do homem comum e seu destino final (5:14, 3:19-21;7-6), independente da bondade da pessoa (9:3), e crê que após a morte “eles não terão recompensa nenhuma” (9:5). Ele crê que não há recompensa após a morte. Toda a memória do homem desaparece, assim como a sua porção em tudo o que é feito dentro dos domínios da vida humana (9:5). Na verdade, o túmulo é descrito como a “última”(às vezes, eterna) “morada” do homem (12:5) Apesar do fim do livro dizer que Deus julga os atos do homem, o texto nunca diz que é um julgamento escatológico (12:14).

Cristãos crêem na ressurreição, entretanto, e crêem que no final dos tempos, Deus trará recompensas aos seres humanos. A crença numa recompensa futura após a morte, na memória eterna, e uma porção renovada na terra dos vivos é afirmada no Novo Testamento, mas explicitamente negada pelo Mestre. Outra vez, o Mestre diz que ele está falando meramente das experiências naturais da vida (isto é, as suas próprias perspectivas limitadas como ser humano). Tristemente, milhões de pessoas em nosso mundo nos dias de hoje também negam uma realidade por trás da morte baseadas em suas próprias experiências de vida. Extrair uma visão acurada do pós-vida no livro de Eclesiastes é contrário ao seu propósito e impossível devido aos limites de sua perspectiva.

Nenhum dos versos acima apoiam claramente a teologia adventista.
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2. A Bíblia chama a morte de “dormir”. Isso quer dizer que humanos ficam totalmente inconscientes na morte.

Devemos evitar a leitura de uma teologia inteira em apenas uma palavra. Através da escritura, a palavra “dormir” é usada como metáfora ou eufemismo para a morte física (Jo 12:11-14), provavelmente em vista dos paralelos superficiais entre o dormir e um corpo já morto (olhos fechados, deitado, inatividade física e a falta de resposta). Adventistas exploram a metáfora como evidência de que a morte é um estado inconsciente assim como dormir. Mas até que ponto podemos levar a sério uma metáfora? Apesar de uma pessoa estar inconsciente ao dormir, essa mesma pessoa está ativamente sonhando; será que existe sonho na morte? Extrair uma teologia de uma simples metáfora é um empreendimento perigoso e arbitrário.

Mais importante ainda é que, muitas culturas ao redor do mundo usam a mesma metáfora para a morte, a despeito de suas elaboradas cosmologias pós-vida. No mundo antigo, as noções de morte como “dormir” e a sobrevivência e atividade de uma “alma”eram compatíveis. Isso era verdade na cultura do antigo Egito (Taylor, John H., Death and Afterlife in Ancient Egypt, Chicago: Univ. of Chicago, 2001, 39, 107).

Entre trabalhos gregos, dormir é usado metaforicamente (ou em comparação à morte) em: Ésquilo, Agamenon 1451; Horácio, Odes 1.24.5; Homero, Ilíada 9:241; 16.671-672; Odisséia 13.79-81; Hesiodo, Trabalhos e Dias 116; Teogonia 75. Entre escritores romanos: Cícero, De Senectute 22:80; Virgílio, A Eneida 6.278; Ovídio, Amores 2.9.41. Essa compatibilidade pode aparecer até no Novo Testamento. Em Apocalipse, as almas dos mortos “descansam” no Senhor (Apoc 6:11) mas também são capazes de conversar (Apoc 6:10). Ninguém pode dizer, portanto, que qualquer uso da metáfora exclui conceitos pós-vida.



3. Se uma pessoa vai para o céu após a morte, por que então haveria a necessidade de ressurreição?

Deus vai nos ressussitar porque Ele sempre quis que o homem fosse corpo e alma, físico e espiritual. É a profunda unidade dos dois elementos que produz o “homem, completo e inteiro”(Catecismo da Igreja Católica, 362). Sem essa dimensão, nós somos incompletos, isso é, em ambos, corpo e alma. Como o Catecismo também declara, “a esperança na ressurreição corporal da morte estabeleceu a si mesma como uma consequência intrínseca de fé em Deus como criador do homem inteiro, de corpo e alma” (CIC, 992)



4. A primeira mentira encontrada nas escrituras assegura que o homem “não morrerá”(Gen 3:4). A visão católica clama que o homem não morre, mas vive como alma.

Esse argumento, tão popular entre adventistas evangelistas, assume que uma pessoa não está morta se sua alma sobrevive a morte. É claro que isso é logicamente incoerente: a alma só pode sobreviver a morte se uma pessoa na verdade já morreu. Então, católicos concordam que seres humanos morrem (eles não deveriam nunca dizer que humanos “não morrem”); eles discordam, entretanto, na condição ou estado daqueles que morreram. Questões sobre o que acontece com um ser humano na morte (se a alma é realmente consciente após a morte) obviamente pressupõe morte.

Muitos adventistas clamam que se qualquer parte de uma pessoa sobreviver a morte (a alma, por exemplo), aquela pessoa não morreu verdadeiramente. Entretanto, esse argumento permite a questão: ele assume um conceito partir do que constitui “morte”(a extinção de qualquer aspecto do ser humano) para eliminar qualquer outro conceito de morte. Católicos crêem que uma pessoa verdadeiramente morre com a extinção do corpo, com o qual a alma sobrevive. Isso é meramente uma concepção diferente da morte física.



5. A visão católica automaticamente não se encaixa no espiritismo?

A Bíblia proíbe o homem de tentar se comunicar com espíritos através de médiuns. Mas essa proibição não implica necessariamente que a alma não sobreviva a morte. Textos bíblicos condenam espiritismo como uma prática de estrangeiros ( 2 Re 21:2; Deut 18:9), que é paralela as buscas da revelação de Deus instituída, como os sacerdotes e profetas (Deut. 18). Adicionalmente, Is 8:20 alega a necromancia como falta de “bruxaria” ou “poder”(talvez, potencial mágico) Entretanto, texto bíblico algum condena o espiritismo vindo de uma crença explícita aonde não há estado intermediário ou pós-vida.




6. Jesus disse que distribuiria todas as recompensas em sua Segunda vinda (Apoc 22:12); nós não deveríamos esperar recompensas antes disso e nem na morte então.

Primeiramente, devemos reconhecer que o Novo Testamento declara que o justo participa em certas realidades escatológicas e recompensas até mesmo nessa vida (Col 2:6; Jo 4:36), e ainda possua pelo menos um “primeiro quadro” do que será o futuro de seu destino (Ef 1:13-14; 2Cor 1:22; 5:5 ). Os maus também receberão amostras do seu destino final antes da segunda vinda (2Pe 2:4;9). Mais adiante, Apoc 6:9-11 retrata um morto recebendo uma recompensa enquanto aguarda a sua reabilitação final. Esta recompensa recebida após a morte em Cristo é o que católicos chamas de “recompensa particular”antes da ressurreição.




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